Muito Além da Razão

Poucas coisas nesse mundo me dão mais prazer do que os números e as palavras.

Meu vício, desde o início…

Um amigo me disse um dia desses que eu estou viciado em você. Eu não concordo. Vício é uma palavra muito feia, pejorativa, é algo que me remete a coisas ruins como drogas ou cigarro. O vício é uma sede sem fim, uma relação doentia entre o prazer e a dor, é o cultivar incessante da frustração, motivada pela busca de cada vez mais prazer e que está, inexoravelmente, fadada à ruína.

Não há dependência em nossa relação, há sim uma simbiose quase perfeita, onde cada um tem do outro o que precisa para existir de maneira satisfatória. Além do mais, temos nos visto tão pouco! Tão menos do que eu gostaria! Passamos poucas horas por semana juntos, sei que no início era muito mais que isso, mas o que realmente importa é a qualidade desse tempo e não sua quantidade.

É fato que você me dá muito prazer, cada minuto que eu passo contigo é uma completa imersão em um mundo sempre novo, repleto de magia e felicidade. Você me faz sentir leve, sem quaisquer preocupações, quando estou com você, meus problemas deixam de existir, sinto-me forte e seguro, pois sei que você me permitirá começar de novo, mesmo que eu cometa o mais fatal dos erros.

Outra coisa, não precisa ficar com ciúmes, eu sou muito fiel a você. Nunca te escondi meu passado, mas tenha certeza que nesses quase dois anos juntos, eu nunca te traí.

Contudo, preciso admitir, para o nosso próprio bem, que tenho gastado muito com você. No começo eu não me importava, mas hoje dia as coisas são diferentes e, apesar de me enganar dizendo que isso acabará um dia, acabo sucumbindo ao desejo, não tem jeito. Mas tudo bem, como diz o sábio ditado popular: mais vale um gosto…

Bom, eu sei que eu já disse muito, mas é sempre bom deixar transparecer aquilo que sentimos, mesmo que isso possa parecer piegas. Então, não vou me alongar muito, só quero mesmo dizer que eu gosto muito de você meu querido Playstation 3.

E por falar na sacolinha…

Já faz algumas semanas que as sacolas plásticas foram banidas dos supermercados de Belo Horizonte. Isso, sem sombra de dúvida, é uma boa notícia para a saúde de nosso planeta, mas o mesmo não pode ser dito em relação à comodidade de quem vai às compras.

A sensação é de volta no tempo. Lembro-me de quando eu tinha oito, dez anos de idade, tempo em que era raro ver as tais sacolinhas pelos mercados afora. Era época de hiper inflação e era necessário comprar tudo o que fosse possível logo no início do mês, pois os preços subiam a cada dia em uma escalada desenfreada. Carrinho de supermercado cheio, às vezes até dois deles, tinha que ser levado até o carro e despejado no porta malas. Em alguns mercados havia caixas de papelão ou até sacos de papel, mas o normal mesmo era sair com as compras na mão.

Muitos anos se passaram e a cena volta a acontecer. Só que agora, o cenário é outro, a inflação já não nos preocupa tanto e ciência da uma mãozinha quando o assunto é preservar o meio ambiente.

Uma vez que já não é necessário correr às compras para proteger o valor do dinheiro, as idas ao supermercado tornaram-se mais freqüentes, ao passo que o volume das compras tende a diminuir. Eu, por exemplo, costumo dar uma passadinha no supermercado cerca de duas vezes por semana, e em alguns meses até mais. É sempre pra comprar algo que está acabando na geladeira ou para adquirir aquele ingrediente especial para o jantar.

Como não planejo muito as idas ao mercado, tem sido freqüente a necessidade de sair com as compras nas mãos ou pagar os malfadados R$0,19 por sacolinha biodegradável. É daí que vem minha indignação. Os supermercados repassam o custo das sacolas para o consumidor.

Será que eles não vêem que isso é algo extremamente inconveniente? Sou completamente a favor de se preservar o planeta, mas não acho que repassar o problema para o consumidor seja uma prática louvável.

Se essas sacolas têm o custo alto hoje, se fossem produzidas em massa, como era feito com as de plástico comum, com certeza teriam seu custo reduzido, o que viabilizaria a substituição sem repassar para o consumidor o ônus.

Tudo bem, levar uma sacola de casa é extremamente factível, mas esse não é o caso, os grandes mercados resolveram dois problemas de uma vez só! Economizaram com as sacolinhas plásticas e ao mesmo tempo acharam um modo de desovar rapidamente as caixas de papelão, que antes eram jogadas no lixo. Sem dizer que encontraram um novo produto para vender: sacolas biodegradáveis.

Tudo isso envoltos em um manto de preocupação com o planeta! Poupem-me! E agora, como se já não bastasse ter de pagar pelas sacolinhas, terei que comprar sacos de lixo! Sim, eu e torcida do galo todinha fazemos isso, ou melhor, faziamos. Usar as sacolas como saco de lixo era bem prático, afinal, para quem mora em apartamento, gerenciar um big saco de lixo é um grande problema, ao passo que as sacolinhas tinham o tamanho ideal!

Penso que tudo seja um caso de adapação. Pode ser que daqui a algum tempo os supermercados venham a ofererer opções mais cômodas para o consumidor. Enquanto isso, preciso caprichar no “fosforol” pra não esquecer de levar a sacola às compras…mais essa agora…

Canadá

Que lugar bonito. Mesmo no finalzinho do inverno, quando a ainda beira os O°C, o Canadá é um lugar muito bonito e agradável. Eu sou suspeito para depor a favor do clima, haja vista que adoro o frio. O prazer que tive de brincar na neve pela primeira vez em minha vida, quando estive em Helsinque na Finlândia há alguns anos, foi infinitamente superior à praticamente todas as minhas idas à praia. Só por conta disso dá para avaliar o quanto gosto dos gélidos ventos do inverno. É claro que não sou doido a ponto de não gostar de um belo dia de sol, mas o verão de Belo Horizonte, com platôs de 35°C  nos últimos três meses, não me anima muito. Bom, mas voltando ao Canadá, a boa impressão começou na hora de tirar o visto: infinitamente mais fácil que o Americano. Na chegada, se troquei duas frazes com o oficial de imigração foi muito.

Toronto é uma bela cidade e a vista do restaurante na CN Tower é incrível. Tirando o fato de que comer enquanto aquilo tudo gira é um pouco desconfortável, bom, pelo menos para mim. Após o jantar, nada melhor que algumas fotos, pena que já estava de noite, isso atrapalhou um pouco as fotos. A primeira foto, a que mostra a torre, não fui eu quem tirou, como não consegui fotografar ela de fora, por causa do ângulo e da falta de luz, coloquei essa só para constar. As outras não ficaram muito boas, de noite e com câmera de celular…

 

Tudo bem, as fotos não ficaram maravilhosas, mas a luz da torre atrapalhou um pouco, outras ficaram bem melhores mas o tamanho impede que eu coloque aqui. Vou deixar um link para o Facebook onde postarei as outras.

Bom, Burlington também é uma bonita cidade, bem menor que toronto, e bota menor nisso, bem mais calma também, calma até de mais.  Às margens de um dos Grandes Lagos, o Ontário, a paisagem é encantadora.

Para fechar com chave de ouro, Niagara Falls. Mesmo com muito gelo ainda, a paisagem é impressionante. A cor da água também chama a atenção, um verde muito bonito. Só faltou o Pica-Pau tentando descer as cataratas dentro de um barril.

 

Um oásis de calor e umidade no deserto de gelo: o Santuário de Borboletas de Niagara:

A vida imita a arte…

Essa frase é muito interessante e eu gostaria de torná-la mais presente em minha vida, de forma positiva, claro. Não me refiro a salvar o mundo como em “Armagedon” ou pousar um avião como fez o Tom Cruise em “Encontro Explosivo”.  Falo de coisas mais normais, reais, mas que nem por isso deixam de ser fantásticas e inesquecíveis. Quem sabe um dia conduzir uma mulher em uma dança da maneira como fez Al Pacino no tango de “Perfume de Mulher” ou, ainda falando em dança, brincar na chuva como Gene Kelly em “Cantando na Chuva”.

Porque não dar uma de Michael Douglas em “Um dia de Fúria”, tem dias em que realmente dá vontade de chutar o balde, brigar, falar palavrão, mas o que da vontade mesmo é de passar um dia como em “Curtindo a vida adoidado”.

Tantas coisas poderiam acontecer, tantas vezes a vida poderia se inspirar na arte, tantas outras nem tanto, quantas estranhas coincidências, tristes, entediantes, dolorosas. Amizades como em “Conta comigo”, aventuras como em “Eurotrip”, lições como em “A vida em preto e branco”.

E assim seguir vivendo, inspirado pela ficção, embalado pelas trilhas sonoras, vivendo um dia após o outro, à espera de um milagre ou à procura da felicidade, afinal, tudo acontece em Elizabethtown.

Deixo a vida me levar… vida leva eu…

O que é o destino afinal? Muitos acham que é o caminho que outrora fora traçado para cada indivíduo e que do qual não há como fugir. Outros pensam que ele não existe, que nada está escrito, traçado, ou planejado de qualquer forma. Se existe ou não, é difícil saber, mas é inegável que coincidências acontecem a todo momento e que o acaso muitas vezes pode parecer obra de algo muito maior.

Quem é cético o bastante para acreditar, ou melhor, para não acreditar; quem pensa que tudo é uma questão de ação e reação, a meu ver, não passa de um cego, pois não enxerga o mundo ao seu redor, repleto de coincidências, acasos e impensáveis. Sim, “impensáveis”. Situações que são tão extraordinárias que é difícil acreditar que sejam só coincidências ou mero acaso, é um impensável, algo que está muito além do nosso entendimento.

E também é confortador acreditar que há um propósito em tudo que acontece a nossa volta, mesmo que na realidade não haja. Seria desumano tirar esse conforto de quem dele depende para sobreviver, embora seja danoso viver na ilusão de que algo vai miraculosamente acontecer.

Eu gosto muito de uma frase que diz que podemos até saber o que queremos da vida, mas que não temos a menor idéia do que a vida quer da gente. A razão de eu gostar dessa frase é que ela sempre deu muito certo em minha vida. Sempre gostei de planejar o meu futuro, mas a medida que o tempo foi passando, notei que há mais impensáveis do que eu gostaria que houvessem. E embora em um primeiro momento coisas ruins tenham acontecido, inexplicavelmente, foram essas as que mais me ajudaram a corrigir os desvios do meu caminho. That is it. Simples assim.

É incrível como a vida, destino, providência ou qualquer que seja o nome que isso tenha, me direcionou em vários momentos de minha vida. É como se algo me atraísse para um determinado caminho. É como se o universo inteiro conspirasse para que aquilo ocorresse, mais dia menos dia. E olha que o destino tem diversas cartas na manga. É como quando duas pessoas se conhecem e descobrem que era questão de tempo para que suas vidas se cruzassem. Gostos, amigos e lugares em comum, situações que, isoladas, poderiam ser chamadas de coincidências, mas que quando colocadas lado a lado, revelam as artimanhas do destino para juntar aquelas duas pessoas.

Se o nosso destino está realmente escrito ou se a vida não passa de uma loteria cósmica eu sinceramente não sei, mas há algo que tenho certeza: é no mínimo divertido pensar no universo de possibilidades e probabilidades que nos aguardam na próxima esquina, no amanhã ou no em breve. Graças a Deus.

Talharó

Em minha opinião, macarrão é sempre um prato curinga. Isso se dá pelo fato de que macarrão é como chocolate, todo mundo gosta, ou pelo menos quase todo mundo. Alem disso, é fácil e rápido de fazer.

Mas como eu não gosto de coisas fáceis, como adoro um desafio, resolvi incrementar e deixar a pasta um pouco mais sofisticada, sem exageros, pois como dizia Da Vinci, a simplicidade é o máximo da sofisticação.

Pois bem, essa é a receita do Talharó – talharim ao molho de tomate, carne e alho poró.

TALHARÓ

Ingredientes:

  • ½ Pacote de Talharim
  • ½ Talo de Alho Poró (aproximadamente uma xícara)
  • 1 Cebola Pequena (aproximadamente duas colheres de sopa)
  • 1 Dente de Alho (cortado em pequenos pedaços)
  • 2 Tomates (sem pele e sem sementes)
  • 100 g de Carne Moída
  • Sal Grosso
  • 2 Colheres de Sopa de Azeite
  • ½ Xícara de Vinho Tinto Seco
  • Uma Colher de Sopa de Manteiga (rasa)
  • Sal, Pimenta do Reino e Queijo Parmesão Conforme o Gosto

 

O preparo do molho é bem simples. Bata os tomates no liquidificador até que o mesmo se transforme em uma pasta, sem contudo liquefazê-lo e reserve. Em uma panela coloque o azeite e a cebola cortada em pedacinhos bem pequenos para dourar. Acrescente o alho poro, também bem picado, e refogue por alguns minutos em fogo baixo, até que ele comece a ficar transparente. Acrescente o dente de alho.

Existem alguns pequenos erros que arruínam um bom prato. Deixar o alho queimar é um deles. O ponto certo é quando o alho desprender seu cheiro, evite dourá-lo. Aumente um pouco o fogo e acrescente a carne moída, o sal e a pimenta do reino a gosto.

Quando a carne estiver frita, acrescente o vinho. Mexa bem para que o álcool evapore e acrescente o tomate. Deixe ferver por cerca de cinco minutos para reduzir, acrescentando água sempre que necessário para não secar de mais. Apague o fogo, tampe e reserve.

Já o processo de cocção da pasta é mais complicado. Tentarei ser o mais claro possível em minhas instruções para evitar erros: em uma panela ferva a água, acrescente um punhado de sal grosso e cozinhe o talharim pelo tempo que indicar o pacote, geralmente 8 minutos. Difícil, não é?!

Agora é só refogar a pasta na manteiga, colocar no prato e acrescentar o molho. Quem gostar de queijo parmesão é só ralar por cima do prato no momento de servir.

Bom Apetite!

OBS: Esse prato é para duas pessoas e fica muito bom acompanhado por um bom tinto.

Ok Lula, dessa vez eu concordo!

Dessa vez eu sou obrigado a concordar com o Luiz Inácio!

É fácil, primeiro o 4, depois o 5, qualquer um consegue...

Visto… uma odisséia.

Obter o Visto americano é uma daquelas coisas emblemáticas que acontecem na vida da gente, como tirar carteira de motorista ou passar no vestibular. Não é que seja difícil, está mais para angustiante. Justifico esse sentimento porque é algo que não depende exclusivamente de você.

Tudo começou com o agendamento da entrevista. Bastou entrar no site da embaixada, preencher um formulário e requerer uma entrevista. Um boleto foi gerado e depois da confirmação do pagamento eu pude escolher o dia da entrevista.

Teve início então a fase da separação dos documentos, juntamente com uma dúvida atroz: Afinal, o que deveria eu levar para a entrevista? O que será que me pediriam? O site do consulado não ajudou muito e nessa hora, o bom senso e os conselhos de um amigo, o Warlei, me ajudaram bastante. A grande questão é provar que você tem vínculos suficientes com o Brasil, que justifiquem seu retorno. O problema maior é que vínculo é uma coisa muito subjetiva.

Não juntei muita coisa, levei apenas o que julguei estritamente necessário: uma cópia da minha declaração de imposto de renda, carteira de trabalho, os seis últimos extratos bancários, escritura do meu apartamento, documento do carro e de lambuja, uma carta convite de um fornecedor americano da empresa que trabalho.

A pressão e a insegurança foram tão grandes que mal consegui dormir na véspera da entrevista. E se eles não forem com a minha cara? E se me pedirem algo que eu não havia levado? As passagens compradas, o hotel reservado, os compromissos e o fantasma do Tio Sam pairavam sobre meus ombros.

Acordei bem cedo, afinal, o trânsito de São Paulo é imprevisível e minha entrevista estava marcada para oito e meia da manhã. Chegar ao consulado foi tranqüilo e os vários minutos de antecedência só serviram para ampliar mais a minha apreensão. Mas afinal, eu estava com medo de que? Eu sabia que era bobeira, mas era como aquela sensação que antecede uma prova, você sabe que estudou, sabe que está preparado, mas mesmo assim bate uma insegurança.

Tive o cuidado de não levar nada além do necessário junto comigo. Antes de sair do hotel dei uma geral na mochila e só deixei lá a pasta com os documentos. Do lado de fora do consulado, mesmo bem cedo, já havia uma longa fila formada. Foi aí que tive a primeira dúvida: minha entrevista estava marcada para mais de uma hora à frente, deveria eu entrar? A resposta é sim! Havia um funcionário no portão que perguntava o horário marcado, imagino que não há um controle rígido quanto ao horário. Tinha gente de nove e meia entrando junto comigo.

Ao passar pelo portão, a fila dava voltas em uma espécie de mureta e nesse momento, funcionários do consulado (brasileiros), aos berros, orientam as pessoas a ficarem com o bendito formulário DS-160 (preenchido no site e impresso com o comprovante da entrevista). Junto dele deveria ficar também a foto 5×7 (uma odisséia a parte). Essa fila foi muito rápida e na entrada do consulado seguranças verificavam os pertences de todos que entravam. É exatamente como nos aeroportos: um detector de metais e um raio-x para os pertences.

Foi nesse momento que descobri que a “geral” que eu dei na minha mochila não foi bem feita. Esqueci o fone de ouvido do celular em um dos bolsos dela, resultado, tive que jogá-lo fora, haja vista que dentro do consulado não é permitida a entrada de nenhum dispositivo eletrônico. Eles não perdoam nem mesmo chaveiro do alarme de carro. Sorte dos proprietários de guarda volumes do lado de fora do consulado que cobram caro pelo uso de pequenos armários.

É interessante dizer que não se entra de verdade dentro do consulado. Todo aparato de segurança pelo qual passei era para que eu pudesse ter acesso a uma área externa ao prédio. As pessoas caminham até essa área aberta, onde há diversas filas, e centenas de pessoas, parecia um formigueiro. A primeira fila era para verificação do formulário, a segunda para a pré entrevista, a terceira para as impressões digitais e por último uma longa fila para a entrevista.

Todas as vezes que eu imaginei o consulado americano, eu pensava em algo parecido com um banco, com um punhado de cadeiras para que as pessoas pudessem aguardar sua vez e mesinhas onde elas seriam entrevistadas. A realidade se mostrou um pouco diferente. Foi estranho, parecia um balcão de rodoviária com vários guiches. A coisa toda é meio humilhante, tenho que confessar, a entrevista acontece em pé, com uma fila de pessoas atrás de você, escutando todas as informações pessoais que por ventura o entrevistador lhe perguntasse.

Eu estava tranqüilo, só um pouquinho ansioso, mas no fundo estava confiante. Não tinha por que eles negarem o meu visto. O painel eletrônico anunciou a minha senha e me mandou seguir para um dos guichês. Lá, uma pequena fila e um vidro a prova de balas me separavam de uma simpática jovem senhora, que conduzia as entrevistas com um sotaque fortíssimo.

Quando chegou a minha vez, me aproximei e disse: bom dia. Ela respondeu com um sorriso e me perguntou se eu falava inglês. Eu disse que sim e ela continuou a conversa em inglês. Ela me fez poucas perguntas. Parecia que apenas estava conferindo as informações que eu escrevi no formulário. Perguntou-me se eu já havia viajado para outros países, qual seria o motivo da minha viagem, se eu tinha parentes lá nos Estados Unidos, onde eu trabalhava e a quanto tempo.

Respondi as perguntas com convicção e ao final ela me disse a frase que eu estava há três horas esperando para ouvir: “Seu visto foi concedido.” Segui para o lado de fora. Perto do portão por onde entrei haviam alguns guichês. Lá eu entreguei meu passaporte, paguei pelo sedex de retorno – um absurdo de caro, diga-se de passagem –  e sete dias depois eu estava com o visto colado em meu passaporte.

Agora era só arrumar arrumar as malas…

Désillusion

Há momentos nessa vida em que nada faz sentido e tudo que nos resta é pagar pra ver. E por mais que perdido você se sinta, perdido não estamos todos nós? Sobreviventes dessa corrida de ratos, ludibriados pela falsa sensação de segurança que a vitória, efêmera, nos tinge a alma. Onde reina o caos, até os cegos guiam. Lá a terra é fértil e mesmo a pior das sementes pode germinar.

Mas por quanto tempo a bruma pode cegar? Por quanto tempo o mal pode durar? E mais ainda, o que virá depois? O que acontece quando a cortina encerra, depois que o letreiro sobe, que o último acorde ressoa? E se o tudo der certo, o que virá depois do “felizes para sempre”?

Não acredito, sinceramente, que seja só isso.

Nada como um dia após o outro…

Depois de ver fraca atuação brasileira na Copa do Mundo da África do Sul contra a Holanda, foi inevitável ouvir as gozações dos argentinos. Em uma transmissão da Rede Globo em Buenos Aires, o repórter e os brasileiros que lá estavam foram achincalhados pelos hermanos, como era de se esperar, afinal, de quem foi a idéia de fazer uma reportagem na Argentina após a derrota da Seleção Brasileira. “Vocês estão fora brazucas!”, foi o que se ouviu.

O interessante é que em outra entrevista, dessa vez com um uruguaio, ao invés de tripudiar, ele disse “você é do Brasil, eu lamento muito!” e dava para ver que ele dizia a verdade, não estava sendo irônico. Depois perguntam o porquê de nossa birra com os argentinos.

Mas o melhor de tudo é que no fim, valeu a máxima: nada como um dia após o outro.

O que nem Disney nem os Irmãos Grimm viram, o Ricardo viu…

Como quase todos os brasileiros, senti muito pela derrota da seleção brasileira de futebol, ontem pelas quartas de final da copa do mundo. No fundo, bem lá no fundo, eu não acreditava que o Brasil pudesse chegar ao hexacampeonato nessa copa, mas como bom brasileiro, torci a cada lance, dentro e fora de campo pela seleção nacional.

Não me sinto como um dos cento e noventa milhões de técnicos brasileiros, embora provavelmente o seja. Digo isso porque sou uma pessoa muito pragmática. Penso que jogador é jogador, técnico é técnico. A transição do primeiro para o segundo é muito comum, mas precisa ser bem feita, bem conduzida, senão, perde-se um ótimo jogador e ganha-se um péssimo técnico.

Para ser vitorioso não basta ter sido um bom jogador, o indivíduo necessita se desenvolver, aprender, vivenciar o futebol. É como em qualquer profissão, a pessoa, por melhor que ela tenha se saído no meio acadêmico, precisa começar por baixo, seja por um estágio, ou por um programa de trainee, ela precisa se desenvolver, adquirir experiência.

No futebol não é diferente, a meu ver o técnico deve começar como auxiliar, uma espécie de estágio. Passar por times menores, experimentar não só as vitórias, mas também as derrotas, pois são elas que mais ensinam. Passar por grandes times, grandes competições, aí sim, por mérito, ser contratado para comandar uma seleção nacional.

Não tripudiarei o Dunga, depois que a onça é morta, aparecem muitos para puxá-la pelo rabo, mas entendo que ele foi, sem dúvida, o maior motivo de nossa derrocada. Em minha opinião, o Brasil perdeu a copa não ontem contra a Holanda, mas sim dia 11 de maio, dia em que foi anunciada a escalação da seleção brasileira. Talvez a culpa nem seja dele, talvez o maior culpado seja o presidente da CBF, o senhor Ricardo Teixeira, que foi quem contratou um dos sete anões para comandar a Seleção Brasileira de Futebol.

Mais uma sobre o GPS.

Vivo uma relação de amor e ódio com meu Navegador GPS. Digo, minha Navegadora GPS, a Gaby. Dei esse nome ao aparelhinho depois de descobrir que a voz feminina que faz a navegação se chama Gabriela.  

Ela me tira do sério às vezes. Acha que manda em mim. Já tivemos brigas homéricas no transito. A razão de tantas brigas não é insegurança, não é que eu não queira receber ordens de uma mulher, é que Gaby é uma esportista, gosta de escalar ladeiras. Já eu, prefiro andar um pouco mais a tentar convencer meu carro que ele consegue escalar o Everest.

Gaby também é uma mulher muito corajosa, não tem medo de becos e vielas mal freqüentadas. Por vezes tenho que confessar a ela o meu temor de atravessar favelas, principalmente à noite.

Não posso reclamar, como viajo muito, nem sempre conheço as ruas das cidades por onde passo, mas para isso, tenho que dar o braço a torcer, ela é imbatível. Leva-me sempre onde preciso ir, sem reclamar, sem condicionar, sem se cansar.

Dia desses, em uma de nossas conversas, disse a ela que a entendia, e que o problema não era com ela, mas sim comigo, ela não deu muita bola para mim, após um breve silêncio, suas únicas palavras foram “prepare-se para virar a esquerda em oitocentos metros”.

Já diza Lao…

Dia desses, em meio a uma despretensiosa conversa com minha sobrinha de oito anos, disse a ela que o segredo da vida estava no equilíbrio. Não creio que tenha mudado o modo com o qual ela vê o mundo ou sua vida, essa não era a minha intenção, mas com certeza plantei uma sementinha em uma terra fértil.

Crianças são como esponjas e da mesma forma como nós adultos, também aprendem com exemplos, a diferença é que não têm experiência de vida e maturidade suficientes para entender como as situações que vivemos ou presenciamos podem contribuir para nosso crescimento.
Outro dia escutei do consultor da empresa onde trabalho, que o melhor caminho é o do meio. Lao-tsé disse isso ao se referir ao equilíbrio das coisas, ao equilíbrio da vida.
Esse é um dos princípios pelos quais a natureza funciona. Tudo nela é moderado, compensado, contrabalanceado, em fim, tudo a nossa volta tende ao perfeito equilíbrio. Quando nós seres humanos entramos na equação, fazemos com que a balança penda para um lado ou para o outro.
É difícil, contudo, viver conforme esse princípio. O maior problema é saber justamente qual é o caminho do meio. Perdemo-nos em meio ao excesso de opções e distrações da vida e talvez o caminho certo seja o que menos gostaríamos de tomar ou o que mais nos parece arriscado. Na verdade, não existe um único caminho, haja vista que ninguém é igual. O que funciona para mim pode não funcionar para você.
Pode ser que essa seja a maior vantagem das crianças, elas não se perdem pelo caminho. Elas fazem exatamente o que querem fazer, o que lhes faz feliz, o que lhes dá prazer. Entre outras palavras, elas não se deixam levar, elas seguem conforme seus corações. Não são responsáveis pelas suas ações e por isso podem ousar, podem se entregar de corpo e alma às suas emoções. Podem escolher livremente o caminho a seguir. Liberdade, essa é a chave, esse é o diferencial.

É uma lição para mim. O único problema é que não sou mais criança, sou responsável pelas minhas escolhas. Isso faz tudo ser mais difícil, mas não me importo, afinal, eu nunca pensei que a vida fosse fácil mesmo.

O que dizer sobre o direito à felicidade?

Dia desses li algo sobre a inclusão do “direito à felicidade” em nossa Magna Carta. Em tese isso é algo excelente, mas é bom lembrar que nesse mesmo documento existem outros direitos que vêm sendo negligenciados pelo Estado, como os direitos à vida, liberdade, segurança, igualdade, propriedade, educação, saúde, moradia, trabalho, lazer, entre outros.

Minha intenção não é fazer juízo de valor sobre o mérito da questão, mas pensar um pouco no que representa cada um desses direitos e como eles contribuem para a obtenção da tão sonhada felicidade.

Primeiramente é importante definir o objeto de estudo: a felicidade. Afinal, o que é felicidade? Essa questão, por si só, já é assunto para um livro inteiro, dessa forma, não tive a pretensão de elucubrar sobre esse assunto. O grande problema a meu ver é que a própria definição da palavra já dá margem à subjetividade. Segundo os dicionários, a felicidade é um conjunto de sentimentos ou emoções que estão ligadas à alegria e à satisfação. Dessa forma, sustenta-se a afirmação de que a felicidade é relativa, ou seja, depende muito mais do ser – indivíduo – do que do fato. Exemplo: a chegada do natal – fato – pode despertar tanto a alegria quanto a tristeza, dependendo do indivíduo, de suas vivências, experiências, traumas, entre outros.

Seria a felicidade uma daquelas palavrinhas cujo significado passamos a vida inteira buscando como sucesso e realização? Será que é algo tangível, alcançável, ou não passa de um ideal? E quando alcançada, o há além? O melhor de uma festa é esperar por ela? As dúvidas não têm fim, felicidade sim!

O que é afinal o direito à vida? Se não há educação, emprego, condições básicas de saúde, moradia, segurança, entre outros, como garantir a um casal a infra-estrutura necessária para conseguir criar uma criança dignamente? Não é uma apologia à irresponsabilidade, as pessoas devem arcar com as conseqüências de suas escolhas, mas o direito à vida é da jovem criança que veio ao mundo, alheia aos erros dos pais, deles não tem a mínima culpa, contudo é justamente quem paga com a própria vida pelos desacertos e problemas sociais que se arrastam desde que Cabral desembarcou em Vera Cruz.

Dessa forma, quem pode dizer-se livre, mesmo que esse seja um direito constitucional? A escravidão não foi erradicada, só se modernizou. Se alguém discorda, convido a tentar sobreviver, um mês que seja, com um salário que faz jus ao seu nome – mínimo.  Nem mesmo conseguimos todos sermos livres de consciência, haja vista que a discussão sobre o que é ético ou não, é em muitas das vezes feito por pessoas que nunca vivenciaram realmente a necessidade, a fome, o frio, a dor. É fácil julgar os outros com a barriga cheia e com dinheiro no bolso. Em sua forma plena, é difícil dizer que todos somos realmente livres.

Que o mundo se torna um lugar mais perigoso para se viver a cada dia, todos sabemos, mas por quê? Falar sobre o direito a segurança passa por questionar não só os efeitos, como a violência, a criminalidade, entre outros, mas também pelas causas. Viver em uma sociedade em que não haja o respeito ao direito à vida, em que não é possível ser livre de verdade, em que não exista a infra-estrutura básica para o crescimento sustentável das comunidades como o acesso à saúde e educação de qualidade, é viver em um mundo onde não há segurança. Onde o medo reflete as desigualdades sociais. Onde a lei não é a mesma para todos. Aumentar o efetivo policial e pensar que com isso se garante a segurança é o mesmo que se aumentar a dose do remédio para a hipertensão arterial e continuar a freqüentar diariamente uma churrascaria.

A essa altura é fácil constatar que não somos todos iguais. Aceitar que é exatamente essa a causa da maioria de nossas mazelas é, a meu ver, o primeiro passo para uma tentativa de melhoria. Não sou socialista ou comunista, muito antes pelo contrário, mas vejo na desigualdade social o câncer que mata bem devagar a nossa sociedade. É um absurdo ver todos os dias nos jornais casos de favorecimento, enriquecimento ilícito, desvio de verbas públicas, mau uso da máquina pública, nepotismo, entre outros tantos exemplos de mecanismos de concentração de renda e saber que a cada dia isso se torna mais banal, ao ponto de não nos indignarmos mais com tais afrontas.

É difícil pensar que teremos garantido o nosso direito à felicidade quando inúmeros outros direitos básicos nos são tirados, usurpados, mutilados.

Das encadernações caprichadas

“À mulher de César, não basta ser honesta, tem que parecer honesta.” Essa despretensiosa afirmação ensina-nos muito mais do que parece. É um conselho sobre nossa conduta, seja ela profissional ou pessoal.

Muitas vezes, “parecer” é até mais importante do que “ser”, pelo menos para o nosso convívio social. Veja bem, em momento algum eu faço apologia às aparências, mas fato é que nossa cultura corrobora esse tipo de comportamento.

Imagine esta situação hipotética: Você vai a uma clínica, logo na entrada encontra tudo meio bagunçado, luz fluorescente com reator queimado (piscando). A recepcionista não usa um computador, só uma agenda toda rabiscada. Suas roupas parecem saldo do clipe Thriller, do Michael Jackson. Dentro do consultório, vê que o médico usa um jaleco branco amarelado, não por ser velho, sujeira mesmo, todo amarrotado, e por dentro dele uma camisa Hering com “bolinhas” na gola, aquelas que dão depois da ducentésima lavagem. Ele lhe sorri meio de lado, escondendo a falta de alguns dentes e lhe convida para sentar. O encosto da cadeira é uma imitação barata de couro, que por estar ressecado e furado, começa a beliscar-lhe as costas. Tenho certeza que você não confiará plenamente no diagnóstico, mesmo que esse possa lhe parecer coerente.

Ele poderia ser um ótimo médico, mas não aparentava ser. Contudo, se você encontrasse uma clínica hi-tech, uma recepcionista com uniforme impecável, daquelas que só de olhar você tem a certeza de que fala no mínimo cinco idiomas, um médico todo engomadinho, de jaleco branquinho impecável, lavado com OMO e Vanish, cheirando à Confort, gravata amarela com nó duplo, etc, etc, ele até poderia ser um charlatão, mas o “contexto” lhe convenceria do diagnóstico, fosse ele qualquer baboseira.

Nos relacionamentos é mesma coisa. Não basta amar, é preciso demonstrar, materializar esse sentimento, só assim a outra pessoa poderá ter certeza de que é amada, respeitada. É como aquela letra do Extreme, More than words: “como seria fácil se você mostrasse como se sente… mais do que palavras… fechar seus olhos, estender as suas mãos, me tocar, abraçar apertado, nunca me deixar ir embora…”  É também como aqueles filhos que dão trabalho o ano todo para a mãe e no segundo domingo de maio chegam faceiros, com uma lembrancinha debaixo do braço, achando que aquilo vai compensar todos os fios brancos. Não basta amar, é preciso demonstrar!

Sei que não se deve julgar um livro pela capa, contudo, é muito mais fácil vendê-lo se a encadernação for caprichada. Não é isso que chamam de marketing pessoal? Vender nossa imagem…?! Uma vez  que há tanta gente que só vive de aparências nesse mundo, já está passando da hora de pessoas que realmente têm valor, demonstrarem isso também. Só assim conseguirão tomar o espaço daqueles que usurparam o tão sonhado lugar ao sol.

Mais vale um gosto…

Sou um consumidor consciente. Nunca – ou melhor, quase nunca – compro por impulso, sempre comparo marcas, modelos, o custo x benefício, preço então, nem se fala. Dou muito valor para meu dinheiro.

Uma coisa que recomendo a todos é a leitura criteriosa de catálogos e manuais de instrução antes da compra, sempre que possível. Fazendo assim, a chance de descobrir que você comprou algo de que não precisava, ou pior, que adquiriu gato por lebre, passa a ser bem menor.

Só depois de muito tentar conectar dois computadores à Internet através do NET VÍRTURA é que eu descobri que o vendedor “se esqueceu” de mencionar que é necessário adquirir um roteador para que isso pudesse ser feito. Se eu tivesse pesquisado um pouquinho na Internet eu faria a opção pelo VIRTUA, mas estaria consciente de que teria o custo do roteador. O pior nesse caso é a sensação de ter sido enganado.

Hoje em dia, posso dividir minha vida virtual em antes e depois do roteador wireless, sou um consumidor satisfeito, mas poderia ter evitado a frustração se tivesse me informado melhor. Uma boa pedida é consultar Fóruns ou sites como o Reclame Aqui (www.reclameaqui.com.br) ou Reputação (www.reputacao.com.br). Contudo, vá devagar com o andor por que o santo é de barro: não acredite de cara em tudo que lê.

Uma das coisas que mais me irritam nos fóruns é que TODOS, sem exceção, possuem o equipamento super ultra top top de linha. E que o seu, ou o que você está tentando comprar, é o que há de pior no mundo. Ninguém usa 1100, todo mundo tem iPhone, você não acha um que têm uma Calói ou Monark de duzentos Reais, só aparecem ciclistas (de fim de semana) que usam Bianchi.

Certa vez eu quis comprar uma placa de vídeo aceleradora 3D. A placa que escolhi, e que estava tentando me informar sobre, era mediana, não era a mais cara, mas também não era a pior do mercado. No fórum, garotos de 12 ou 14 anos, empurrados por plaquinhas on-boards mixurucas, tentavam se passar por Hackers de 30, usuários de Geforces GTXyzes, tenha paciência!

Quando estava pesquisando para trocar de carro a experiência anterior me ajudou muito. Todos nos fóruns andavam de Touareg ou Audi A6, e quando me decidi pelo Gol G5, descobri que ninguém andava de 1.0, eram todos Power. Ninguém merece! E onde estão os milhares e milhares de Gols 1.0 produzidos pela VW? Pelo visto, se eu me basear nos fóruns especializados, ninguém os compra, não é? Sem dizer que muitos que ali opinam, nunca dirigiram um carro na vida. Em quem devo acreditar: em um indivíduo que “coloca” 220km/h em um carro 1.0 (de quarta) ou na VW que diz que o carro dela não chega nem a 180km/h?

E os fanáticos? Esses são um capítulo à parte! Eu sei que brasileiro é apaixonado por carro, mas tem gente por aí que é maluco por Fiat, ou doido por VW, loucos por GM ou alucinado por Ford. Há também os que odeiam, os que não podem nem ouvir falar. No fim, vale a máxima: toda maioria é burra! Sem essa de que “Gol é Gol”, “Som é Pioneer”, “Pneu é Michelin”, fujo dessas unanimidades como o “coisa ruim” foge da cruz. Não sou do contra, aliás, sou usuário de quase todas essas marcas, mas o faço por critérios racionais, por preço, por qualidade, não por fanatismo.

Quer outra coisa que me irrita nos fóruns pela internet a fora? Os pseudo especialistas. Certa vez eu tive um problema em meu Notebook. Fui assombrado por uma mensagem de erro que insistia em aparecer toda vez que iniciava o “bicho”. Iniciei uma pesquisa na Internet e o que mais ouvia, ou melhor, lia, era: “formata a máquina!” Bom, se “formatar a máquina” fosse uma opção razoável em meu caso, eu o teria feito, não teria tido o trabalho de pesquisar durante vários dias por uma solução alternativa. Dias depois uma alma caridosa – e realmente especialista no assunto – me ensinou uma pequena alteração no registro do Windows que resolveu o meu problema.

Lembro também daqueles que não sabem ler. Basta você dizer que está entre o modelo A e o B para aparecer algum especialista te indicando o C, o X e o W. Eu não perguntei sobre o C, X ou W, a pergunta era sobre o A e o B! Outro caso bem comum é o de alguém que pergunta algo sobre um modelo específico, exemplo: qual a tecla para mudar a função “tal” e aparece um caboclo com uma resposta como: joga fora essa ¨&$*%@! Compra um “beltrano”. Nonsense!!

Bem, mesmo com todos esses problemas, procurar informações antes de comprar algo é imprescindível, basta ter um bom filtro: o bom senso. Ja dizia o velho ditado: mais vale um gosto do que seis vinténs.

Parabéns!

Feliz aniversário Hans Christian Andersen!
Hans Christian Andersen nasceu há 205 anos, no dia dois de abril. Foi um grande escritor e responsável por grandes contos e estórias que ouvimos quando crianças.

Conselho

Conselho
(Adilson Bispo / Zé Roberto)

Deixe de lado esse baixo astral
Erga a cabeça enfrente o mal
Que agindo assim será vital para o seu coração
É que em cada experiência se aprende uma lição
Eu já sofri por amar assim
Me dediquei mas foi tudo em vão
Pra que se lamentar
Se em sua vida pode encontrar
Quem te ame com toda força e ardor
Assim sucumbirá a dor (tem que lutar)
Tem que lutar
Não se abater
Só se entregar
A quem te merecer
Não estou dando nem vendendo
Como o ditado diz
O meu conselho é pra te ver feliz

Cultivando o bem que há em cada um.

Cultivo em meu apartamento uma pequena pimenteira. Em outro vaso, cheguei a cultivar cerca de sete pés, mas após um pequeno acidente – uma queda da janela do quarto andar – o vaso ficou vazio. Sempre rego minha pimenteira à noite, antes de dormir. É uma espécie de ritual.

Dia desses, notei que no vaso vazio, que fica sempre ao lado de minha pimenteira, começou a crescer uma plantinha. Nunca regava esse vaso, mas pensei que a água da chuva pudesse ter iniciado a germinação de alguma semente ali esquecida.

Fiquei feliz pelo “nascimento” da plantinha e comecei a regá-la diariamente. Sempre que chegava em casa, corria para a área de serviço para ver como estava a mudinha. Adquiri certo carinho pela mesma, confesso. Foi algo inesperado em minha vida e como eu havia semeado aquela terra tempos atrás, me sentia responsável pelo seu cultivo.

O tempo passou e comecei a estranhar aquela mudinha de pimenta. Suas folhas eram bem diferentes, mais alongadas, não tinha um caule bem definido. Em um primeiro momento, não me importei, não sou nenhum botânico, assim não poderia explicar o porquê daquilo, fiquei intrigado.

Hoje pela manhã, após um exame minucioso, cheguei ao veredito: Elionurus Candidus. O bom e velho capim! Fiquei um pouco frustrado, afinal, passei mais de uma semana cultivando mato. Era o fim de minha prodigiosa carreira de agricultor, uma vez que o ocorrido a macularia para sempre.

Isso me fez pensar. Refletir sobre como esse tipo de situação acontece frequentemente em nossas vidas. Por vezes, “cultivamos” amizades, afetos, amores e nos frustramos em descobrir que não eram bem o que queriamos. Não eram exatamente o que esperávamos.

Será que a “pobre” mudinha de capim teve alguma culpa afinal? Essa é sua natureza. Ela não poderia ser outra coisa. Desde o início ela não tentou me enganar. Não se muniu de nenhuma máscara para se passar por outra coisa senão ela mesma. Eu é que, cego, fui icapaz de perceber que não se tratava de uma mudinha de pimenta.

Cada pessoa possui uma natureza, uma personalidade, uma forma diferente de se mostrar para o mundo. Cada um tem defeitos e qualidades, mais de um menos do outro. Será que não é nossa a culpa pelos outros não serem exatamente do jeito que queremos? Será que não somos nós quem construimos um ideal, um modelo de como os outros deveriam ser e passamos a qualificar todos conforme aquele molde?

Cheguei a conclusão de que em diversos momentos de minha vida, projetei nos outros aquilo que eu queria para mim. Exigi dos outros um comportamento que eu mesmo não conseguiria manter. Esperei das outras pessoas ações que não eram de sua natureza. E como não poderia deixar de ser, fui iludido pelos meus próprios desejos, projeções e julgamentos.

Acho que esses devaneios me fizeram mudar, bom, pelo menos vou tentar de agora em diante não construir ideais para o comportamento dos outros. Vou esperar pra ver se são pimenteiras ou pés de capim. Se forem pimenteiras, bom. Se não, se forem capim, não vou deixar com que isso interfira, afinal, todos – até mesmo as ervas daninhas – têm uma razão de existência.

Prova de que isso mudou meu comportamento é que de agora em diante, ao lado de minha pimenteira, cultivarei um pezinho de capim.

50 Receitas

Bela canção…

50 Receitas
(Leoni)

Eu respiro tentando
Encher os pulmões de vida
Mas ainda é dificil
Deixar qualquer luz entrar…

Ainda sinto por dentro
Toda dôr dessa ferida
Mas o pior é pensar
Que isso um dia
Vai cicatrizar…

Eu queria manter
Cada corte em carne viva
A minha dôr
Em eterna exposição
E sair nos jornais
E na televisão
Só prá te enlouquecer
Até você me pedir perdão…

Eu já ouvi 50 receitas
Prá te esquecer
Que só me lembram
Que nada vai resolver
Porque tudo
Tudo me traz você
E eu já não tenho
Prá onde correr…

O que me dá raiva
Não é que você fez de errado
Nem seus muitos defeitos
Nem você ter me deixado
Nem seu jeito fútil
De falar da vida alheia
Nem o que eu não vivi
Aprisionado em sua têia…

O que me dá raiva
São as flôres
E os dias de sol
São os seus beijos
E o que eu tinha
Sonhado prá nós…

São seus olhos e mãos
E seu abraço protetor
É o que vai me faltar
O que fazer do meu amor?…

Eu já ouvi 50 receitas
Prá te esquecer
Que só me lembram
Que nada vai resolver
Porque tudo
Tudo me traz você
E eu já não tenho
Prá onde correr…(2x)

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